“... e até os confins da terra.”
Um Perfil Geral
Maicon Silva Steuernagel
Nasci em Joinville, 1984, em Santa Catarina, mas passei meus primeiros 4 anos de vida em Chicago (EUA), para onde minha família se mudara por ocasião da pós-graduação de meu pai. Depois deste período moramos ainda em Canoas, Rio Grande do Sul, e em 1992 nos mudamos para Curitiba, onde moro desde então. Me formei em Ciências Sociais pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e em Teologia com Ênfase em Missiologia pela FATEV (Faculdade de Teologia Evangélica em Curitiba). Durante o período de graduação morei por um ano na Noruega, através de um programa de intercâmbio com a SMN (Sociedade Missionária Norueguesa). Atualmente sou mestrando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, também na UFPR.
Carolina Rau Steuernagel
Nasci em Jaraguá do Sul, 1983, em Santa Catarina, mas passei a minha infância e adolescência no litoral catarinense. Em 2001 mudei-me para Curitiba, Paraná, a fim de cursar a faculdade de medicina na UFPR. Conclui o curso em 2007 e agora estou fazendo uma especialização/ residência em Medicina de Família e Comunidade, trabalhando em uma unidade de saúde na periferia de Curitiba.
Projeto Missionário Noruega
Nossa história com Cristo
Maicon Silva Steuernagel
Sou cristão de berço e de convicção. Nascer e crescer em uma família cristã comprometida certamente me deu uma herança cristã, mas a salvação é obra única e inequívoca de Jesus Cristo. À medida que fui crescendo, fui aprendendo a profundidade das histórias sobre Jesus que sempre fizeram parte da minha educação, e aos poucos elas passaram a fazer parte também da minha vida. Desde muito cedo manifestei um desejo de trabalhar no Reino de Deus, passando pelas fases de “vou ser pastor quando crescer” até “vou ser missionário do outro lado do mundo”. O centro disso tudo, no entanto, é um desejo de servir a Deus.
Carolina Rau Steuernagel
E era assim: meu pai, minha mãe e eu. Uma família de católicos, que conheciam uma senhora luterana, com dificuldades para caminhar, que não tinha carro pra ir aos cultos. Meu pai passou a levá-la aos domingos. Já que havia programação para crianças levou-me junto. Depois foi minha mãe. E quando nasceu minha irmã, foi batizada luterana. Mas a idéia e transformação em nova vida vieram por obra do Espírito Santo e de influências importantes no grupo de jovens. Em Curitiba ficou assim: estudante de medicina durante a semana e integrante do grupo de teatro da igreja nos fins de semana. Duas atividades difíceis de se misturar. O desejo
de fazer o que Deus quer uniu ministério e vocação. Meu trabalho na periferia me fez ver de perto o sofrimento e a esperança. Hoje entendo e vejo Deus na realidade e cotidiano meus e de outras pessoas fora do convívio da igreja.
A caminhada ministerial
Difícil sabermos por onde começar. Cremos que a formação, a perspectiva e a ação ministerial não se constroem somente nos ministérios e programas eclesiásticos, mas na forma como nos relacionamos com as pessoas à nossa volta em tudo o que fazemos. Ainda assim, queremos dedicar este espaço para falar sobre o nosso envolvimento mais específico com a Igreja, tanto para edificação quanto para a evangelização. Neste sentido, há três grandes ministérios sob os quais temos atuado de diferentes formas. Dois destes pertencem à Comunidade do Redentor, a comunidade que nos acolheu e se tornou nossa casa e família em Cristo em Curitiba - o Ministério Jovem e o Ministério de Louvor e Artes; e o outro é interdenominacional - a Mocidade Para Cristo (MPC). Nossa caminhada ministerial anterior também vinha nesta direção, a Carol cantando no coral e envolvida com a liderança de adolescentes em Santa Catarina e o Maicon cantando primeiro no coral de crianças e depois no Coral Jovem, também envolvido com a liderança de adolescentes em Curitiba. 3 Já há alguns anos estamos juntos em boa parte dos ministérios, nos quais se desenvolveu nossa amizade, que acabou virando casamento. Cantamos juntos no Coral Jovem e atuamos juntos no Grupo IDE (uma companhia de teatro da Comunidade do Redentor). Estamos também liderando pequenos grupos do grupo de jovens da Comunidade. O Maicon integra ainda a equipe da MPC Curitiba, trabalhando com evangelização e edificação em acampamentos e eventos dentro e fora das igrejas, estabelecendo muitos projetos em parceria com a Comunidade do Redentor. Entre estes está o Ministério Terra dos Palhaços, um ministério interdenominacional que trabalha com evangelismo e edificação através das artes circenses. E a Carol, sempre que possível, está junto nestes desafios.
Por que ir ? Nosso chamado...
“Como são lindos os seus pés calçados com sandálias!”
Cântico dos Cânticos 7.1
Pode parecer estranho falar sobre chamado com Cântico dos Cânticos, mas no nosso caso isso faz muito sentido. Este versículo faz parte de nós, da nossa história e do nosso comprometimento e entrega. É o versículo do nosso casamento, aquele que aparece com letras destacadas no convite. Muitos nos perguntaram porque o tínhamos escolhido, e certamente muitos ficaram imaginando o que seria dito sobre ele no dia da cerimônia. Muita coisa, na verdade, poderia ser dita. A Bíblia fala repetidas vezes em pés e sandálias em contextos bastante significativos. Mas nós queremos lembrar aqui particularmente de duas passagens.
“Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa.”
Êxodo 3.5
Na origem do chamado está a reverência, o temor e tremor diante de um Deus que nos chama e que é santo. Algumas das declarações mais profundas acerca da santidade de Deus na Bíblia estão em narrativas dos chamados de seus servos e profetas. Antes de Isaías dizer o seu conhecido “envia-me a mim”, ele cala diante da glória de Deus e dos anjos cantando “Santo, Santo, Santo”. No início da caminhada do homem que viria a ser 4 Moisés está um pastor de ovelhas ajoelhado reverente em terra santa. Na memória dos discípulos nos primórdios da Igreja está Jesus a lavar-lhes os pés. Vamos porque Deus chama e envia. Diante dele tiramos as sandálias.
“Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas!”
Isaías 52.7
Queremos a beleza dos pés que se põem a caminho, anunciando as boas novas em outros montes. É claro que aqui nestes montes brasileiros, mesmo em nossa própria cidade, há cavernas, bosques fechados, cantos e recônditos onde os pés do evangelho ainda não pisaram. Creio que seja justo perguntar por que, estando envolvidos em tantas coisas e com tantas coisas por fazer, queremos ir. Não somos todos chamados para ir em direção ao próximo? Sim, mas também somos chamados para os confins da terra. Atos 1.8 não nos diz para irmos primeiro para a nossa vizinhança e depois para os lugares mais distantes. Nos chama, como igreja, a irmos para nossa Jerusalém e para a Judéia e Samaria e até os confins da terra. O versículo aponta para uma abrangência do chamado e não para uma ordem de prioridade. Graças a Deus somos Corpo em Cristo, uns chamados e capacitados para perto, outros para mais longe. Cremos que Deus tem nos chamado para montes mais distantes, para outras culturas, línguas, nações. Esta tem sido nossa oração, o incômodo santo nos nossos corações. Nós usamos sandálias naquele dia, mas fomos abençoados descalços.
Por que a Noruega?
Europa e Noruega como campos missionários
Tendemos a enxergar a Europa como o berço do cristianismo e das missões; e, como conseqüência, tendemos a menosprezar suas necessidades missionárias. Foi, de fato, na Europa que o cristianismo cresceu significativamente e majoritariamente de lá que estendeu seus braços ao redor do mundo. Foi a partir de lá que nós, brasileiros, fomos alcançados e foi pelo testemunho de europeus que nossas igrejas se estabeleceram. O nascedouro do cristianismo e das missões, no entanto, foi o Oriente Médio, e antes disso o coração de Deus e sua encarnação amorosa. Do ponto de vista dele a Europa sempre foi um campo missionário, seus olhos abertos para ela com carinho e preocupação amorosos. Com isso em mente mudamos nossa pergunta: por que e onde nós nos encaixamos nos planos de Deus para a Europa? Séculos de influência cristã incutiram no núcleo da cultura de muitos países na Europa. Depois, séculos de um crescente secularismo arrancaram Cristo deste núcleo. Hoje a Igreja na Europa luta com sua sobrevivência, sua história cristã forte e profunda encontrando pouca resposta nos corações e mentes dos europeus, especialmente da juventude. A Noruega é um desses países com uma rica história de comprometimento e missões que encontra poucos dispostos a continuá-la. Eles não querem parar de fazer missões fora de seu país, mas agora precisam dar atenção especial também ao crescimento do Evangelho (em um sentido mais profundo do que o “cristianismo cultural”) entre seu próprio povo. Os corações das pessoas precisam encontrar Jesus de uma forma pessoal e queimar com o fogo do Evangelho. As pessoas precisam enxergar a Igreja como o corpo vivo de Cristo e não como um clube social antiquado.
Acreditando em parcerias
A realidade da Igreja como Corpo de Cristo vai muito além das fronteiras da nossa igreja local. Quando cristãos na China, no Oriente Médio, no Brasil ou na Noruega confessam a Jesus como seu Senhor e Salvador eles são abraçados neste mesmo corpo, sob a mesma cabeça que é Jesus Cristo. Isso significa que nós pertencemos a ele e uns aos outros, e somos chamados a trabalhar juntos. Isso pode significar trabalhar pelo mesmo Reino onde quer que estejamos, mas pode significar também ir até outras pessoas e lugares e trabalhar lá e com eles. Já há muito tempo a Sociedade Missionária Norueguesa está consciente desta realidade e tem trabalhado conosco no Brasil, enviando missionários e nos apoiando no crescimento do reino aqui. Temos trabalhado juntos aqui, e eles têm sido sensíveis às nossas necessidades. Agora queremos dar um passo na direção deles e estar sensíveis às suas necessidades, ajudando no crescimento e reavivamento da Igreja na Noruega. Acreditamos que Deus se alegra quando trabalhamos juntos, e que Ele ainda tem grandes planos para essa parceria. Acreditamos também que igrejas que enviam e recebem missionários se mantêm vivas e reavivando. Missões não são meramente o braço estendido da Igreja, são o pulsar do seu coração, enviando o evangelho da vida por todo o corpo e fazendo-o crescer.